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quarta-feira, 2 de março de 2011

Por que Loja?

A palavra Loja é usualmente utilizada para designar os locais onde se faz a reunião regular, porém a mesma é utilizada no dia a dia quando nos referimos ao comércio, então porque utilizamos esta palavra, qual sua explicação e origem? Vejamos.

Substantivo feminino (do germânico: leubja e do frâncico: laubja, através do francês: loge), designa o pavimento térreo de um prédio, a casa comercial estabelecida em loja; o local em que uma sociedade maçônica realiza suas Sessões e, por extensão, qualquer corporação maçônica (na realidade, prefere-se falar em Templo, para designar o local de reunião, reservando o vocábulo Loja para designar a corporação). A palavra loja teve sua origem nas Guildas medievais. Na antiga língua germânica, a palavra leubja (cuja pronúncia é lóibja) significa lar, casa, abrigo e acabou dando origem a palavras de sentidos, as vezes diferentes, em outros idiomas, lodge, em inglês, loge, em francês, loggia, em italiano, logia em castelhano e assim por diante; em português a palavra loja é provavelmente do frâncico (idioma dos antigos francos) laubja, pelo francês loge e siginifica pavimento térreo de um prédio, além de casa comercial; em italiano loggia passou a designar a entrada de edifício, ou galeria usada para exposições artísticas, para venda de produtos artesanais, ou como pátio, varanda, alpendre. Nem todas essas palavras, portanto, designam casas comerciais; mas todas designam a reunião e a corporação de Maçons. O vocábulo surge, pela primeira vez, em 1292, num documento de uma guilda. As guildas de mercadores passaram a adotar a palavras para designar os seus locais de depósito e de venda de produtos manufaturados, enquanto que as guildas artesanais a adotaram para designar os seus locais de trabalhos; ou seja, as oficinas dos mestres artesãos. Das guildas de mercadores originou-se o nome das casas comerciais, enquanto que das guildas artesanais originou-se o nome das corporações maçônicas; embora, atualmente, não tenham nada em comum, ambas tem a mesma origem. Isso, entretanto, não ocorre em todas os idiomas: em inglês, por exemplo, as lojas comerciais são os magazines; em francês são os magasins ou ateliers (este último termo também designa estúdio artístico e oficina de trabalho podendo ser usado para uma Oficina Maçônica); mas tanto lodge como loge além de camarim, choupana, tenda, cabana, camarote, alojamento, hospedaria, designam sempre uma corporação maçônica. O vocábulo deve ser mais usado para designar não o local de reunião, que é o templo, mas sim, a corporação maçônica, quando os seus membros reúnem-se num Templo; ao final de uma Sessão, a loja é considerada fechada, mas o Templo continua aberto, inclusive para outras Lojas.

Fonte: Dicionário Etimológico Maçônico - H-I-J-L - 2ª Edição 1996 - José Castellani - Ed. Maçônica "A trolha" .   

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Rito e Ritual não são a mesma coisa!

Recentemente li um livro muito bom que explica de forma clara a diferença entre Rito e Ritual. Na Inglaterra não existe Rito, apenas Ritual, que, simplificando, é uma forma de trabalho. O autor foi em fontes fidedignas para fundamentar seu trabalho que se tornou um livro recomendadíssimo para os interessados no tema, no caso os maçons.
Este é um assunto polêmico na ordem maçônica porque a multiplicidade de formas de trabalho, que alguns consideram como simplesmente Rito e outros como Ritual, ao mesmo tempo que enriquece dificulta a assimilação do funcionamento da ordem, uma vez que Rito e Ritual são coisas totalmente diferentes mas que podem ser confundidas e geralmente o são.
Uma câmara dos deputados ou um senado federal tem sua forma de trabalho, seu Ritual para funcionar adequadamente, assim, acho que com esta explicação torno claro sucintamente o que seja Ritual. Uma coisa é certa e eu aprendi isso lendo o livro: Rito e Ritual não são a mesma coisa!
Abaixo transcrevo parte do capítulo do livro. Com a palavra o autor, meu respeitável irmão, Fábio.

2.1 O que é Rito?

O vocábulo "Rito" como um substantivo masculino, é derivado do latim - ritus. Designa o cerimonial próprio de um culto, determinado pela autoridade competente; seu significadoclássico é: "Uma prática, um costume aprovado, ou conjunto de normas e práticas que se faz com regularidade" (Ir. Sergio Cavalcante - "Rito York"). Rito vem a ser uma colâtena de Rituais, onde, por exemplo, o Rito de York ( De origem Americana e que em nada tem a ver com o Ritual Emulação, de origem puramente Inglesa) é constituído por quatro corpos devidamente distintos uns dos outros, mas de forma hierárquica, a saber: Graus Sombólicos, Graus Capitulares, Graus Crípticos e Ordens de Cavalaria.

Da mesma forma, a título de exemplo, no R.E.A.A. - Rito Escocês Antigo e Aceito, onde se tem os graus simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre) e mais 30 graus acima, numa hierarquia prórpria do Rito. Mas o R.E.A.A. não para por aí, ele tem uma estrutura tão enraizada na Maçonaria Brasileira, que até administrativamente acaba interferindo nos demais ritos e rituais - sistemas de trabalho -, criando vícios que os descaracterizam (Ex: Exigência de "Orador" na Ata de Votação, para os Trabalhos de Emulação).

No Ritual Emulação isso não existe. Ou seja, há apenas os Rituais dos gruas simbólicos, e as Ordens Superiores são ordens totalmente independentes, e não há obrigação de iniciar esta evolução. Depois do grau de Mestre o Irmão escolhe como vai se aperfeiçoar.

São 17 "corpos" - ou capítulos -, por assim dizer, e no Brasil ainda temos somente 5. Mas não há hierarquia. Existem duas escadas o Irmão escolhe por qual começar subir. Ou faz primeiro o "Arco Real" ou o "Mestre da Marca" .

Tais "corpos", tanto são independentes de Rito que são abertos a qualquer outro de um Rito qualquer, desde que já tenha sido Elevado (=Exaltado, no R.E.A.A.) a Mestre.

Então, apesar de erroneamente a maioria das Lojas e suas respectivas Potências chamarem nossos trabalhos de "Rito de York" hoje sabemos que não é, mas sim sistema de Trabalho Maçônico, chamado Ritual Emulação.

2.2 O que é Ritual?
Ritual, como um adjetivo, derivado do latim (ritualis), designa o que é relativo a Ritos. Como substantivo masculino, designa o livro que contém a ordem e a forma de uma determinada Cerimônia, e das dramatizações e representações ritualísticas, ou seja, é um conjunto de regras e/ou normas estabelecidas para a liturgia das cerimônias maçônicas.

Sempre existiram os Rituais, inicialmente através das tradições e de forma oral, posteriormente, com o passar dos anos por escrito, mas isto não tirou a tradição inglesa de nas reuniões da Loja praticar o Ritual de forma decorada. Pode-se concluir claramente que Ritual é totalmente de Rito.

Fonte: Livro "Ritual Emulação - A Maçonaria Inglesa no Brasil - Paginas 44,45 e 46 - Fábio Mendes Paulino - Clube de Autores - 1ª edição - 2010. Site: http://www.ritualemulacao.com/
Para adquirir o livro por favor acesse o site acima citado.